SACRIFÍCIO À TERRA

Algumas considerações sobre nosso mundo físico (Ikole aye) e o motivo pelo qual devemos apaziguar e reverenciar Ilẹ̀ (a terra/chão/solo) a grande mãe Terra.

Parte I

Em toda a nossa vida como seres humanos, pagamos impostos, pedágios e uma série de outros tributos ao governo para termos o direito de nos locomovermos e andarmos de forma legal em nossa sociedade, sem termos que nos deparar com restrições e impedimentos, e até mesmo para que possamos ter uma vida digna, sem bloqueios e restrições. Esta é apenas uma analogia para que possamos refletir e avançar para o aspecto espiritual do tema.

Espiritualmente falando, Ilẹ̀ (A Terra) é a maneira que usamos para a convivência com os seres espirituais e divindades, em especial nossos ancestrais. É por isso que é considerado sábio sempre nos encorajarmos a manter as ofertas de sacrifícios a esta divindade, pois, afinal de contas, além de ser o elo entre nós, Olódùmarè, divindades e ancestrais, Ilẹ̀ (a Terra) é aquela que nos acolhe enquanto seres humanos viventes e nos permite testemunhar e realizar nosso destino, proporcionando-nos alimentos, trabalho, dinheiro, vestes e tudo aquilo de que o ser humano precisa para sobreviver em sua viagem de vida.

Ao oferecermos sacrifícios à Terra, não apenas estamos apaziguando nossos caminhos e existência, mas também todos os espíritos, divindades e ancestrais que florescem e apoiam nossas vidas e, consequentemente, despertam e empoderam o amor de nossos antepassados para nos defender e proteger contra predadores de nosso destino e vida, assim como de acidentes, morte prematura e tragédias de toda sorte.

Ao apaziguarmos e alimentarmos o espírito da Terra, obtemos a permissão e autorização para que nossos antepassados diretos e indiretos, assim como as divindades, possam usar essa energia para limpar nossos caminhos e estradas de todas as más energias e pavimentar nosso caminho para o sucesso.

É importante saber e considerar que os ESPÍRITOS sempre trafegam na mesma estrada que os humanos e, por isso, precisamos reverenciá-los através dos caminhos do mundo, reconhecendo o poder deles na Terra. Sendo assim, ao reverenciar, aplacar e apaziguar o espírito da Terra, reconhecendo com as devidas reverências, ebós e sacrifícios seu poder sobre nossa existência, você pode sentir-se mais seguro diante de tudo, pois, assim, qualquer espírito que queira lhe causar algum acidente ou tragédia nas estradas e caminhos da vida DEVE respeitá-lo. Sejam esses espíritos Ajoguns enviados ou não, não poderão muito contra você, pois sua imunidade espiritual está ativa pelos poderes da Ilẹ̀, a mãe TERRA. E por isso sempre imploramos durante os sacrifícios feitos à Terra:

“Por favor, nunca permita que eu esteja na rua no dia em que a Terra estiver com fome…
Por favor, nunca permita que eu esteja na rua no dia em que a Terra esteja com sede…
Por favor, nunca permita que eu esteja na rua no dia em que a rua e o mundo estejam em guerra.”

Esta súplica acima quer dizer que nunca estejamos na rua para sofrer um acidente ou qualquer tipo de tragédia que nos cause uma morte fatal e prematura, de forma que nosso corpo morto seja o alimento da Terra. Da mesma forma, a expressão “no dia em que a Terra esteja com sede” significa o derramamento trágico de nosso sangue, também através de ferimentos de armas, acidentes e coisas do tipo. “Que não estejamos na rua no dia em que a rua e o mundo estejam em guerra” nos faz pensar que devemos ser atentos e obedientes às nossas obrigações para, da mesma forma, evitarmos as guerras desnecessárias, brigas, lutas com desafetos e inimigos ou qualquer eventualidade física ou espiritual que possa pôr nossa vida em risco.

Tudo que foi criado e existe neste planeta, que conhecemos como nosso mundo, em especial sobre a face da Terra, tem seus propósitos divinos. Nada é por acaso, e considerar a possibilidade do acaso seria conspirar contra si mesmo, sabotando sua espiritualidade e forma de vida. Mas, voltando ao assunto, o mundo é espiritual e, tratando-se de caminhos e estradas, devemos saber, de forma consciente, que essas vias não são apenas humanas, mas sim trilhas pelas quais trafegam humanos e seres espirituais de toda natureza, boa e má.

As estradas retas possuem muitos significados espiritualmente, como foi explicado anteriormente. No entanto, há suas divisões e extensões, que também são de grandiosa relevância, assim como as junções de três ou quatro vias (encruzilhadas), locais onde acontecem reuniões de espíritos e divindades, de energias positivas e negativas que possuem, em grande escala, poder sobre o destino dos caminhos humanos. Estradas e caminhos antigos também são muito significativos espiritualmente quando se trata de onde essas estradas e caminhos levam, à história familiar e pregressa de um indivíduo em particular e até mesmo de uma aldeia, comunidade, cidade etc., pois muitas foram trafegadas por aqueles que vieram e partiram antes de nós.

O motivo real para este texto, espiritualmente falando, é conscientizá-lo de que seu caminho espiritual para o bem-estar, completo cumprimento de seu destino, bênçãos e sucesso será ativado se você estiver sempre vigilante com suas obrigações espirituais para com seus caminhos e estradas físicas, aplacando e apaziguando o caminho que você percorre para seu existir. Isso é, de fato, uma troca: apaziguar de forma espiritual no mundo físico tudo aquilo que você projetou como caminho de vida aqui no mundo dos mortais, evitando toda e qualquer possibilidade negativa e desventura que fogem dos pactos firmados ainda no céu.

Alguns dos segredos que as pessoas não sabem sobre as questões espirituais é que o espírito, em geral, seja ele Òrìṣà, ancestral, seu próprio Ori, guias protetores (reais) e até mesmo aqueles espíritos e forças da natureza que agem movidos pelas energias de punição (ação/reação), Ajoguns, não se corrompem e não dão ouvidos, muito menos crédito, a depoimentos próprios do indivíduo que busca engrandecer-se em suas atividades, supostas atitudes, status ou qualquer coisa do tipo que visa divulgar apenas sua própria grandeza, escondendo suas omissões reais diante de sua própria espiritualidade.

A testemunha do próprio destino, os olhos da sabedoria divina nunca dormem e jamais deixam passar despercebido o que quer que seja de bom ou ruim nas atividades humanas. É imprescindível reconhecer e aceitar, como base da espiritualidade para todos os peregrinos que se guiam em doutrina de fé, que somos apenas viajantes e que, na condução do veículo, existe alguém que está no controle. É dessa forma que todos os seres celestiais, divindades e ancestrais protegerão seus devotos e nunca permitirão que a cabeça (ser) daqueles que os alimentam, cultuam, louvam e imploram com sabedoria e verdade sofra ou seja eliminada, contanto que o indivíduo seja honesto em suas práticas e cultos e faça isso de todo o coração, sem anexar nenhuma emoção negativa, perversa ou propósitos escusos a isso, porque ESPÍRITOS SÃO SÁBIOS e saberão separar o joio do trigo.

Considerando o fator vida como um existir amplo entre o espiritual e o físico e tendo aqui como foco a Terra (Ilẹ̀) como uma poderosa divindade de maior grandeza para todo ser vivente, cujo poder é determinante em nosso existir, seja como meros seres humanos ou simplesmente como viventes que almejam o melhor do mundo para suas próprias vidas, devemos, de forma racional, ampliar nossa consciência espiritual e compreender quem somos, onde estamos e para onde vamos. Apenas as trilhas são capazes de nos levar ao lugar desejado, mas, para isso, é preciso o equilíbrio entre o humano e o sobrenatural, da mesma forma como esse sobrenatural “espiritual” impacta, de forma direta, tudo que temos e conhecemos como mundo.

Onile mojuba ooo!
Aye Akamara!!!
Ayé mase mi ooo!

Bàbá Frank Edesola Adebayo

Continua…

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